Uma vez disse que era um 'banco de dados conceitual' de restaurantes.
Praticamente nasci dentro de um, embora não tenhamos negócios na família.
É que meu pai saía 7 dias por semana para 'comer fora', como dizíamos à época.
Fui, sem saber, criando um olhar especial para ver a 'máquina' funcionando.
Adorava tudo, do 'couvert' - com cenoura em pé na taça com gelo picado - aos profiteroles servidos em 10 de 10 restaurantes bons do Rio.
Adorava entrar e sair pelas portas fechadas dos templos.
Nos anos setenta, bons restaurantes eram pequenos e fechados...
Bistrô, Nino´s, Le Coin, Alvaro´s, e muitos outros eram cerrados e fumava-se desesperadamente.
Dessa época, o que me marcou a ferro foi o Antonio´s.
Era perto de casa - morávamos na Venâncio Flores - e o grupo que freqüentava era de gente que se conhecia. Parecia uma festa permanente!!!
Muito 'Scotch' e enormes porres. Na aba do meu pai, conheci gente realmente bacana.
Era uma 'boemia' de gente boa...acho que não rolava droga. Época da ditadura e lá era um bom posto de observação. Acho que devo ter tido algum sonho com Che no Antonio´s.
Era tudo muito aconchegante.
Os amigos do papai me tratavam como um 'jovem promissor' e já falavam comigo como um deles...era assim que via 'meus amigos'.
Tenho, dessa época, lindas lembranças...de um Rio que passou em minha vida....
